A tomada da decisão judicial criminal à luz da psicologia: heurísticas e vieses cognitivos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22197/rbdpp.v5i1.172

Palavras-chave:

Direito Processual Penal, Psicologia, Interseção, Tomada da decisão judicial, Heurísticas, Vieses, Formação multidisciplinar do juiz.

Resumo

A partir dos conhecimentos da psicologia, este ensaio procura primeiro demonstrar como o ser humano, valendo-se de heurísticas, pensa e age para resolver problemas e tomar decisões em seu dia a dia. Em seguida, o estudo busca revelar como as heurísticas são empregadas para a tomada da decisão judicial criminal, comentando-se sobre  os vieses e sobre os poderes e perigos da intuição, ressaltando-se que o juiz jamais deve prescindir do pensamento racional e lógico, desenvolvido a partir do contraditório. Portanto, chama-se a atenção para a necessidade de o juiz conhecer as heurísticas e os vieses de julgamento, de modo que busque tomar decisões de maneira mais deliberativa e menos intuitiva, ainda que haja uma enorme cobrança por celeridade nos tempos atuais. Reforça-se, ao final, a necessidade de se propiciar e exigir uma formação multidisciplinar do magistrado. 

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Biografia do Autor

  • Flávio da Silva Andrade, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte/MG
    Doutorando e mestre em Direito pela UFMG. Graduado em Direito pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (1999). Ex-Promotor de Justiça do MPRO e ex-Juiz de Direito do TJAC. Foi professor colaborador da Faculdade Católica de Rondônia no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Civil e Processo Civil. Juiz Federal do TRF da 1ª Região, titular da 4ª Vara da Subseção Judiciária de Uberlândia/MG. 

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Publicado

26.03.2019

Edição

Seção

Processo Penal em perspectiva interdisciplinar

Como Citar

Andrade, F. da S. (2019). A tomada da decisão judicial criminal à luz da psicologia: heurísticas e vieses cognitivos. Revista Brasileira De Direito Processual Penal, 5(1), 507-540. https://doi.org/10.22197/rbdpp.v5i1.172